segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

RELATÓRIO DE CAMPO: AGRONEGÓCIO E CAMPESINATO


UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA
CENTRO DE HUMANIDADES
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA




CLAUDEMIR MARTINS DOS SANTOS
MAT. (102435766)




A PRODUÇÃO DO ESPAÇO AGRÁRIO NOS MOVIMENTOS SOCIAIS DO CAMPO O MST NO ASSENTAMENTO NORMANDIA CARUARU-PE, DE QUE MANEIRA SE ORGANIZA O ESPAÇO BRASILEIRO NO AGRONEGÓCIO FRUTICULTOR NOS MUNICÍPIOS DE PETROLINA-PE/JUAZEIRO-BA.




Relatório da aula de campo realizado pelo aluno Claudemir Martins dos Santos da turma 2010.2 noturno, do componente curricular: Produção do Espaço Agrário e Organização do Espaço Brasileiro aplicada à Geografia, ministrada pelo professor Edvaldo Carlos de Lima.







NOVEMBRO/2012



A PRODUÇÃO DO ESPAÇO AGRÁRIO NOS MOVIMENTOS SOCIAIS DO CAMPO O MST NO ASSENTAMENTO NORMANDIA CARUARU-PE, DE QUE MANEIRA SE ORGANIZA O ESPAÇO BRASILEIRO NO AGRONEGÓCIO FRUTICULTOR NOS MUNICÍPIOS DE PETROLINA-PE/JUAZEIRO-BA.

Claudemir Martins dos Santos
Graduando em Geografia do Depto. De Geografia-CH-UEPB

Edvaldo Carlos de Lima
Professor em Geografia do Depto. De Geografia-CH-UEPB


INTRODUÇÃO

            O objetivo da aula de campo nas disciplinas de Produção do Espaço Agrário, Urbanos e Industriais e Organização do Espaço Brasileiro aplicado a Geografia, realizada entre 24 a 27 de outubro de 2012, com as turmas 2011.2 (tarde) e 2010.2 (noite) no Centro de formação Política Paulo Freire/MST/Caruaru/PE e Polo Petrolina/Juazeiro (Caruaru/PE – Petrolina/PE – Juazeiro/BA). Foi conhecer e compreender a Questão Agrária, o Agronegócio, Produção do Espaço Agrário Nordestino e os Movimentos Sociais do Nordeste. Os procedimentos metodológicos aplicados na sala de aula, versos teoria/pratica, são vivenciado no campo.
            A questão agrária brasileira está condicionada a distribuição de terras no Brasil, através das desapropriações de grandes lotes de terras concentradas nas mãos dos grandes latifundiários, o movimento social MST (movimento dos trabalhadores rurais sem-terra) que luta pela reforma agrária, através de invasões, acampamentos até conseguir a desapropriação assentando as famílias em várias áreas no país.
            No Brasil até 1822, a distribuição de terras era realizada pelo regime de sesmaria. Sem levar em conta a ocupação das terras indígena, após o descobrimento do país as terras brasileiras passam a pertencer ao Monarca, que fazia concessões de sesmaria (grandes extensões de terras) e doações de datas (lotes menores). Essas doações de terras teriam algumas exigências, caso as mesmas não fosse cumprida as terras seriam devolvidas. A partir de 1822 foram suspensas as concessões reais, até o ano de 1850, a partir dessa nova data a terra passa a pertencer aquém pudesse ocupa-la. Com a Lei de n° 601, de 18 de setembro de 1850, promulgada pelo imperador Dom Pedro II, conhecida a Lei das Terras, a partir de então só quem poderia pagar pelas terras era reconhecido como proprietário legal segundo a Lei.
            O paradigma agrário brasileiro está dividido em dois territórios distintos: primeiro o agronegócio/latifundiário, segundo o campesinato/agricultura familiar. O latifúndio e o agronegócio são compreendidos no trabalho como um único território tem como concorrência o campesinato, essa concorrência e pertinente entre ambos, os dois territórios apresentam dois modelos de desenvolvimento para o campo, e se confrontam no processo de territorialização-desterritorialização-reterritorialização. O conflito e o desenvolvimento como compromissos indissociáveis e indispensáveis para o entendimento da questão agrária, onde esse território tem relação de poder, nestas discussões apresentam posicionamentos conceituais analisadas nas questões relacionadas dentro do paradigma agrário. Para que nas observações de campo, através da contextualização entre teoria e pratica.

A produção do espaço agrário através da agricultura familiar

            A questão agrária no Brasil está relacionada à distribuição de terras, onde é pertinente atender a demanda por uma reforma agrária que, atenda as famílias necessitadas denominadas de sem-terra, de maneira coletiva atendendo aqueles que realmente queira trabalhar e desenvolver um sistema de trabalho voltado para a agricultura familiar o campesinato.
            Os problemas que compõem a questão agrária estão ligados sobre tudo ao processo de diferenciação e desintegração do campesinato.
            A organização do espaço agrário brasileiro na produção de alimentos no Semiárido Nordestino, está condicionada a habilidade do camponês em produzir seu próprio alimento, com a escassez de água, onde o índice pluviométrico é bastante escasso. Através da irrigação se desenvolve a agricultura familiar que, estra ganhando mercado por ser um produto orgânico sem uso de agrotóxicos.
Entretanto o campo já não é mais o mesmo. No Araguaia, em Goiás, no Nordeste, no Sul, poetas populares cantam uma nova canção – a que proclama a dignidade dos pobres e dos que trabalham, a que ironiza o inimigo possuído pela vontade de lucro ilimitado do capital e a que faz, assim, na própria ação a crítica das classes e do Estado que, pelo ganho momentâneo, decidiram, pela violência, transformar o país em imensa pastagem e o povo brasileiro num imenso rebanho. (MARTINS, 1989 p. 12).
O MST (movimento dos trabalhadores rurais sem-terra) tem um histórico de luta pela terra no país, através de invasões e acampamentos em grandes lotes de terras improdutivas, reivindicando a reforma agrária. No assentamento Normandia no município de Caruaru/PE, encontra-se assentados quarenta famílias, onde os assentados vivem do trabalho na agricultura e criações de animais, onde através de muita luta conquistou o direito à terra. Existe uma parceria entre as famílias do assentamento e o governo municipal da cidade de Caruaru/PE, para o fornecimento de parte da sua produção para as escolas do município, como a macaxeira, a bata doce, carne bovina, suíno e caprino, onde esse alimento vai ser servido na merenda escolar no referido município.
O Movimento dos trabalhadores rurais sem-terra (MST) está convencido de que apenas a ocupação dos latifúndios não é suficiente para derrota-los. O latifúndio faz parte da estrutura econômica do nosso país, da estrutura política, dos interesses das classes dominantes em geral, apesar de atuarem em diversas atividades econômicas, em sua grande maioria possuem grandes propriedades rurais. (STEDILE, 2000, p.5).
Centro de Formação política Paulo freire, encontra-se ao lado do assentamento Normandia é um espaço criado pelos integrantes do MST, existe há doze anos, foi construído com recurso próprio onde se desenvolve alguns cursos superiores com o apoio da Universidade Federal do Pernambuco UFPE, curso de Pedagogia, também disponibiliza um minicurso de noventa dias denominado de curso pé no chão, voltado para pessoas interessadas em fazer parte das atividades do Centro além de adolescente rebelde de outras localidades.

Figura 1 - Centro de Formação Política Paulo Freire, Assentamento Normandia, Caruaru/PE.
Fonte: Pesquisa de campo, 2012.

A Questão do Agronegócio no Semiárido Nordestino

            Grandes áreas denominadas improdutivas necessitam de apoio técnico agrícola, para se desenvolver com planejamento por se tratar de uma área seca, imprópria para o cultivo, em virtude de longo período de estiagem, este espaço vem sendo ocupado pelo Agronegócio no Semiárido Nordestino.  Através do sistema de abastecimento de água, muitos investidores têm apostado na Região Nordeste, no intuito de desenvolver sistemas de irrigação para o cultivo nessas áreas, principalmente para abastecer o mercado externo, como é o caso da uva e manga produzido no ale do rio São Francisco, nos Polos Fruticultor de Petrolina/PE e Juazeiro/BA. Onde grande parte desta produção é exportada para Europa.
            A empresa ASA Industria e Comercio LTDA, é uma das empresas que tem feito uma serie de investimento na área, para desenvolver o projeto de pupunha no Nordeste, palmeira que é extraída o palmito comercializado pela empresa Palmeron umas das empresas que faz parte do consorcio do grupo ASA. Toda essa produção localiza-se no vale do rio São Francisco, uma área extremamente seca do semiárido, seu desenvolvimento se desenvolve através da irrigação. Pontos negativos, a empresa pulveriza sua plantação com insumo agrícola, além de poluir o solo e o ar. Se beneficiar das novas tecnologias como laboratório para acelerar o germinação da planta, modificar geneticamente no caso da uva não possuir sementes.

Figura 2 – Plantio de uva, no Semiárido Nordestino, Polo Fruticultor Petrolina/PE – Juazeiro/BA.                                   
Fonte: Pesquisa de campo, 2012.

A Prática vivenciada no campo sobre os seguintes temas: Espaço Agrário, Organização do Espaço Brasileiro, MST e Agronegócio

            Os procedimentos metodológicos e pratica vivenciados no campo nos municípios de Caruaru/PE, Petrolina/PE e Juazeiro/BA, tendo compreendido o Espaço Agrário e Organização do Espaço Brasileiro, os movimentos sociais como o MST e a produção do Agronegócio no Semiárido Nordestino. O latifúndio no Brasil é o grande dilema da reforma agrária, o capitalismo predomina, não existe uma política pública voltada para desenvolver a reforma agrária do país.
            O governo não têm interesse em beneficiar a classe trabalhadora o camponês, os políticos são os grandes proprietários de terras. O MST entidade não governamental que luta pela reforma agrária e distribuição de terras, através dos eventos que são a invasão e/acampamento, das terras improdutivas para forçar sua desapropriação para assentar as famílias que necessitam de terras. O agronegócio é uma atividade em expansão no país, espaço como o semiárido do Nordeste já estão sendo ocupado em nome do desenvolvimento, projetando o país em nome do progresso, esse tipo de atividade necessita de um grande investimento capitalista poder aquisitivo, apesar de agredir o meio ambiente sempre existe um meio de conseguir licença ambiental para executar seus projetos, em nome do crescimento e globalização.

A implementação da Reforma Agrária no Brasil, caracteriza-se como um desafio principalmente para os trabalhadores sem-terra, uma vez que o poderio econômico/capitalista está ao lado dos latifundiários juntamente com a imponência do Governo Estatal, unidos para que o sistema continue sendo favorável aos seus interesses, que os pobres continuem pobres e os sem-terra assim permaneçam. (LIMA, 2006, p.107).
O espaço Agrário Brasileiro encontra-se delimitado na relação de poder: Latifundiário, Capitalismo e Agronegócio. Com a expansão da monocultura da cana-de-açúcar, em todo o litoral do Nordeste, inclusive na região Sudeste e Sul do Brasil, expansão da soja, trigo e milho no Centro Oeste e Norte, e a criação de gado de corte e/leiteiro por todo o país. Com todas essas delimitações a agricultura de subsistência familiar ficou sem espaço, sufocado em meio todo esse crescimento expansivo. Mesmo nas regiões mais inóspita quando existe uma bacia hidrográfica no caso o rio São Francisco, tem sido visto como cobiça desde o final do século XVIII, com a exploração ou/transposição anunciada pelo imperador Pedro II, hoje é motivo de exploração desse recurso em nome do desenvolvimento do Agronegócio Fruticultor.
Organização do Espaço Brasileiro está condicionado na relação homem natureza, objeto de estudo da Geografia. Relacionando no contexto espaço, território, paisagem, relevo e vegetação. Como esse espaço observado em campo, repercute nas discussões teóricas pondo em pratica quando a campo, espaço versos cidades, paisagem natural e cultural.

Figura 3 – Área de caatinga próxima a plantação de uva, Polo Fruticultor Petrolina/PE – Juazeiro/BA.
Fonte: Pesquisa de campo, 2012.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Neste presente relatório discutimos um pouco sobre as questões complexa Espaço Agrário, Organização do Espaço Brasileiro, MST e Agronegócio. De acordo com a aula de campo nos dias 24 a 27 de novembro, 2012. Nos Estados de Pernambuco e Bahia, mas preciso nas cidades de Caruaru/PE, Petrolina/PE e Juazeiro/BA, inicialmente foi feita observações durante todo o trajeto, conhecendo a diversidade da flora (caatinga) as margens das BRs, as diferentes mudanças na vegetação ao longo do percurso, as formas diversificadas do relevo.
            O Centro de Formação Política Paulo Freire, o assentamento Normandia, o MST (movimento dos trabalhadores rurais sem-terra), a dinâmica do campo no assentamento, agricultura familiar ou/subsistência, e o desenvolvimento do semiárido no Agronegócio Fruticultor através da irrigação, produzindo em grande escala para a exportação o produto desenvolvido para aquele tipo de solo, através das pesquisas e modificação genética para conseguir colher em tempo recorde a colheita desejada.
            Destacamos que com o desenvolvimento na área do Rio São Francisco tendência é desenvolver cada vez mais o fluxo de capital no Estados produtores. O grande vilão da vez é a contaminação do solo da água e do ar, através do insumo agrícola utilizado pelos produtores, prejudicando cada vez mais o meio ambiente.
            Considerando que todo esse desenvolvimento de expansão em nome da globalização no espaço brasileiro, venha a desenvolver a questão da conscientização ambiental, dessa forma o grande e o pequeno produtor reconheça a necessidade de ter essa consciência voltada para o meio ambiente. Já os trabalhadores rurais que necessitam de um espaço territorial para desenvolver suas atividades agrícolas de maneira sustentável, ou/seja condições de trabalhos com políticas públicas voltada para a classe trabalhadora do campo, que necessita de mais terras para a agricultura familiar, onde a grande maioria dos trabalhadores precisam de uma política voltada para beneficiar os menos favorecidos, uma reforma agrária justa igualitária para todos.
            Portanto ressalvo que o presente trabalho, vem à mostra um pouco da problemática que envolve todas as perspectivas relacionadas com os temas pertinentes discutidos em sala de aula e observados em campo, a relação teoria e/pratica. Desde o movimento social o MST, Espaço Agrário, Organização do Espaço Brasileiro e o Agronegócio Fruticultor.


REFERÊNCIAS

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STENDILE, João Pedro. A Origem do Latifúndio no Brasil. Revista PUC Viva, São Paulo, n.08, mar, de 2000. Disponível em: http://www.apropucsp.org.br/index.php/revista-puc-viva/49-08-outros-500/1882-a-origem-do-latifundio-no-brasil, acessado em novembro, 2012.

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HUERTA, D. M. Além do espaço puramente acadêmico: o trabalho de campo como uma verdadeira experiência de vida. Geousp – Espaço e Tempo, São Paulo, N°21, pp. 149 – 156, 2007.

LAMARCHE, H. (Coord.). A agricultura familiar V. II. Campinas: Editora da Unicamp. 1998.

LIMA, E. D. de, AMORIM, C. M., THOMAS JR, A. Movimentos sociais de luta pela terra e pela Reforma Agrária na Paraíba: concepções teóricas a partir do trabalho de campo. Diez años de câmbios em el mundo, em la Geografia y em las Ciencias sociales, 1999-2008. Actas del X Coloquio Internacional de Geografia, Universidad de Barcelona, 26-30 de mayo de 2008. http://www.ub.es/geocrit/-xcol/212.htm. Acesso em 10 de novembro, 2012.

LIMA, V. R. P. Conflito de uso da água no canal da Redenção: Assentamento Acauã – Aparecida – PB. João Pessoa: Departamento de Geografia 2006, p. 95. (Monografia de graduação em Geografia).

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ARTIGO PUBLICADO NO SINGA 2013, JOÃO PESSOA/PB

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