UNIVERSIDADE ESTADUAL DA
PARAÍBA
CENTRO DE HUMANIDADES
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA
CLAUDEMIR MARTINS DOS
SANTOS
MAT. (102435766)
A PRODUÇÃO DO ESPAÇO
AGRÁRIO NOS MOVIMENTOS SOCIAIS DO CAMPO O MST NO ASSENTAMENTO NORMANDIA CARUARU-PE,
DE QUE MANEIRA SE ORGANIZA O ESPAÇO BRASILEIRO NO AGRONEGÓCIO FRUTICULTOR NOS
MUNICÍPIOS DE PETROLINA-PE/JUAZEIRO-BA.
Relatório da aula de campo
realizado pelo aluno Claudemir Martins dos Santos da turma 2010.2 noturno, do
componente curricular: Produção do Espaço Agrário e Organização do Espaço
Brasileiro aplicada à Geografia, ministrada pelo professor Edvaldo Carlos de
Lima.
NOVEMBRO/2012
A PRODUÇÃO DO ESPAÇO AGRÁRIO NOS MOVIMENTOS SOCIAIS
DO CAMPO O MST NO ASSENTAMENTO NORMANDIA CARUARU-PE, DE QUE MANEIRA SE ORGANIZA
O ESPAÇO BRASILEIRO NO AGRONEGÓCIO FRUTICULTOR NOS MUNICÍPIOS DE PETROLINA-PE/JUAZEIRO-BA.
Claudemir Martins
dos Santos
Graduando em
Geografia do Depto. De Geografia-CH-UEPB
Edvaldo Carlos de
Lima
Professor em
Geografia do Depto. De Geografia-CH-UEPB
INTRODUÇÃO
O objetivo da
aula de campo nas disciplinas de Produção do Espaço Agrário, Urbanos e
Industriais e Organização do Espaço Brasileiro aplicado a Geografia, realizada
entre 24 a 27 de outubro de 2012, com as turmas 2011.2 (tarde) e 2010.2 (noite)
no Centro de formação Política Paulo Freire/MST/Caruaru/PE e Polo
Petrolina/Juazeiro (Caruaru/PE – Petrolina/PE – Juazeiro/BA). Foi conhecer e
compreender a Questão Agrária, o Agronegócio, Produção do Espaço Agrário
Nordestino e os Movimentos Sociais do Nordeste. Os procedimentos metodológicos
aplicados na sala de aula, versos teoria/pratica, são vivenciado no campo.
A
questão agrária brasileira está condicionada a distribuição de terras no
Brasil, através das desapropriações de grandes lotes de terras concentradas nas
mãos dos grandes latifundiários, o movimento social MST (movimento dos
trabalhadores rurais sem-terra) que luta pela reforma agrária, através de
invasões, acampamentos até conseguir a desapropriação assentando as famílias em
várias áreas no país.
No
Brasil até 1822, a distribuição de terras era realizada pelo regime de
sesmaria. Sem levar em conta a ocupação das terras indígena, após o
descobrimento do país as terras brasileiras passam a pertencer ao Monarca, que
fazia concessões de sesmaria (grandes extensões de terras) e doações de datas
(lotes menores). Essas doações de terras teriam algumas exigências, caso as
mesmas não fosse cumprida as terras seriam devolvidas. A partir de 1822 foram
suspensas as concessões reais, até o ano de 1850, a partir dessa nova data a
terra passa a pertencer aquém pudesse ocupa-la. Com a Lei de n° 601, de 18 de
setembro de 1850, promulgada pelo imperador Dom Pedro II, conhecida a Lei das
Terras, a partir de então só quem poderia pagar pelas terras era reconhecido
como proprietário legal segundo a Lei.
O
paradigma agrário brasileiro está dividido em dois territórios distintos:
primeiro o agronegócio/latifundiário, segundo o campesinato/agricultura
familiar. O latifúndio e o agronegócio são compreendidos no trabalho como um
único território tem como concorrência o campesinato, essa concorrência e
pertinente entre ambos, os dois territórios apresentam dois modelos de
desenvolvimento para o campo, e se confrontam no processo de
territorialização-desterritorialização-reterritorialização. O conflito e o
desenvolvimento como compromissos indissociáveis e indispensáveis para o
entendimento da questão agrária, onde esse território tem relação de poder,
nestas discussões apresentam posicionamentos conceituais analisadas nas
questões relacionadas dentro do paradigma agrário. Para que nas observações de
campo, através da contextualização entre teoria e pratica.
A
produção do espaço agrário através da agricultura familiar
A
questão agrária no Brasil está relacionada à distribuição de terras, onde é
pertinente atender a demanda por uma reforma agrária que, atenda as famílias
necessitadas denominadas de sem-terra, de maneira coletiva atendendo aqueles
que realmente queira trabalhar e desenvolver um sistema de trabalho voltado
para a agricultura familiar o campesinato.
Os
problemas que compõem a questão agrária estão ligados sobre tudo ao processo de
diferenciação e desintegração do campesinato.
A
organização do espaço agrário brasileiro na produção de alimentos no Semiárido
Nordestino, está condicionada a habilidade do camponês em produzir seu próprio
alimento, com a escassez de água, onde o índice pluviométrico é bastante
escasso. Através da irrigação se desenvolve a agricultura familiar que, estra
ganhando mercado por ser um produto orgânico sem uso de agrotóxicos.
Entretanto o campo já não é mais
o mesmo. No Araguaia, em Goiás, no Nordeste, no Sul, poetas populares cantam
uma nova canção – a que proclama a dignidade dos pobres e dos que trabalham, a
que ironiza o inimigo possuído pela vontade de lucro ilimitado do capital e a
que faz, assim, na própria ação a crítica das classes e do Estado que, pelo
ganho momentâneo, decidiram, pela violência, transformar o país em imensa
pastagem e o povo brasileiro num imenso rebanho. (MARTINS, 1989 p. 12).
O MST (movimento dos
trabalhadores rurais sem-terra) tem um histórico de luta pela terra no país,
através de invasões e acampamentos em grandes lotes de terras improdutivas,
reivindicando a reforma agrária. No assentamento Normandia no município de
Caruaru/PE, encontra-se assentados quarenta famílias, onde os assentados vivem
do trabalho na agricultura e criações de animais, onde através de muita luta
conquistou o direito à terra. Existe uma parceria entre as famílias do
assentamento e o governo municipal da cidade de Caruaru/PE, para o fornecimento
de parte da sua produção para as escolas do município, como a macaxeira, a bata
doce, carne bovina, suíno e caprino, onde esse alimento vai ser servido na
merenda escolar no referido município.
O Movimento dos trabalhadores
rurais sem-terra (MST) está convencido de que apenas a ocupação dos latifúndios
não é suficiente para derrota-los. O latifúndio faz parte da estrutura econômica
do nosso país, da estrutura política, dos interesses das classes dominantes em
geral, apesar de atuarem em diversas atividades econômicas, em sua grande
maioria possuem grandes propriedades rurais. (STEDILE, 2000, p.5).
Centro
de Formação política Paulo freire, encontra-se ao lado do assentamento
Normandia é um espaço criado pelos integrantes do MST, existe há doze anos, foi
construído com recurso próprio onde se desenvolve alguns cursos superiores com
o apoio da Universidade Federal do Pernambuco UFPE, curso de Pedagogia, também
disponibiliza um minicurso de noventa dias denominado de curso pé no chão,
voltado para pessoas interessadas em fazer parte das atividades do Centro além
de adolescente rebelde de outras localidades.
Figura 1 - Centro de
Formação Política Paulo Freire, Assentamento Normandia, Caruaru/PE.
Fonte: Pesquisa de
campo, 2012.
A
Questão do Agronegócio no Semiárido Nordestino
Grandes áreas
denominadas improdutivas necessitam de apoio técnico agrícola, para se
desenvolver com planejamento por se tratar de uma área seca, imprópria para o
cultivo, em virtude de longo período de estiagem, este espaço vem sendo ocupado
pelo Agronegócio no Semiárido Nordestino.
Através do sistema de abastecimento de água, muitos investidores têm
apostado na Região Nordeste, no intuito de desenvolver sistemas de irrigação
para o cultivo nessas áreas, principalmente para abastecer o mercado externo,
como é o caso da uva e manga produzido no ale do rio São Francisco, nos Polos
Fruticultor de Petrolina/PE e Juazeiro/BA. Onde grande parte desta produção é
exportada para Europa.
A
empresa ASA Industria e Comercio LTDA, é uma das empresas que tem feito uma
serie de investimento na área, para desenvolver o projeto de pupunha no
Nordeste, palmeira que é extraída o palmito comercializado pela empresa
Palmeron umas das empresas que faz parte do consorcio do grupo ASA. Toda essa
produção localiza-se no vale do rio São Francisco, uma área extremamente seca
do semiárido, seu desenvolvimento se desenvolve através da irrigação. Pontos
negativos, a empresa pulveriza sua plantação com insumo agrícola, além de
poluir o solo e o ar. Se beneficiar das novas tecnologias como laboratório para
acelerar o germinação da planta, modificar geneticamente no caso da uva não possuir
sementes.
Figura 2 – Plantio de uva, no Semiárido
Nordestino, Polo Fruticultor Petrolina/PE – Juazeiro/BA.
Fonte: Pesquisa de campo, 2012.
A
Prática vivenciada no campo sobre os seguintes temas: Espaço Agrário,
Organização do Espaço Brasileiro, MST e Agronegócio
Os procedimentos
metodológicos e pratica vivenciados no campo nos municípios de Caruaru/PE,
Petrolina/PE e Juazeiro/BA, tendo compreendido o Espaço Agrário e Organização
do Espaço Brasileiro, os movimentos sociais como o MST e a produção do
Agronegócio no Semiárido Nordestino. O latifúndio no Brasil é o grande dilema
da reforma agrária, o capitalismo predomina, não existe uma política pública
voltada para desenvolver a reforma agrária do país.
O
governo não têm interesse em beneficiar a classe trabalhadora o camponês, os
políticos são os grandes proprietários de terras. O MST entidade não
governamental que luta pela reforma agrária e distribuição de terras, através
dos eventos que são a invasão e/acampamento, das terras improdutivas para
forçar sua desapropriação para assentar as famílias que necessitam de terras. O
agronegócio é uma atividade em expansão no país, espaço como o semiárido do
Nordeste já estão sendo ocupado em nome do desenvolvimento, projetando o país
em nome do progresso, esse tipo de atividade necessita de um grande
investimento capitalista poder aquisitivo, apesar de agredir o meio ambiente
sempre existe um meio de conseguir licença ambiental para executar seus
projetos, em nome do crescimento e globalização.
A implementação da Reforma
Agrária no Brasil, caracteriza-se como um desafio principalmente para os
trabalhadores sem-terra, uma vez que o poderio econômico/capitalista está ao
lado dos latifundiários juntamente com a imponência do Governo Estatal, unidos para
que o sistema continue sendo favorável aos seus interesses, que os pobres
continuem pobres e os sem-terra assim permaneçam. (LIMA, 2006, p.107).
O espaço Agrário
Brasileiro encontra-se delimitado na relação de poder: Latifundiário,
Capitalismo e Agronegócio. Com a expansão da monocultura da cana-de-açúcar, em
todo o litoral do Nordeste, inclusive na região Sudeste e Sul do Brasil,
expansão da soja, trigo e milho no Centro Oeste e Norte, e a criação de gado de
corte e/leiteiro por todo o país. Com todas essas delimitações a agricultura de
subsistência familiar ficou sem espaço, sufocado em meio todo esse crescimento
expansivo. Mesmo nas regiões mais inóspita quando existe uma bacia hidrográfica
no caso o rio São Francisco, tem sido visto como cobiça desde o final do século
XVIII, com a exploração ou/transposição anunciada pelo imperador Pedro II, hoje
é motivo de exploração desse recurso em nome do desenvolvimento do Agronegócio
Fruticultor.
Organização do
Espaço Brasileiro está condicionado na relação homem natureza, objeto de estudo
da Geografia. Relacionando no contexto espaço, território, paisagem, relevo e
vegetação. Como esse espaço observado em campo, repercute nas discussões
teóricas pondo em pratica quando a campo, espaço versos cidades, paisagem
natural e cultural.
Figura 3 – Área
de caatinga próxima a plantação de uva, Polo Fruticultor Petrolina/PE –
Juazeiro/BA.
Fonte:
Pesquisa de campo, 2012.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste presente relatório discutimos um pouco
sobre as questões complexa Espaço Agrário, Organização do Espaço Brasileiro,
MST e Agronegócio. De acordo com a aula de campo nos dias 24 a 27 de novembro,
2012. Nos Estados de Pernambuco e Bahia, mas preciso nas cidades de Caruaru/PE,
Petrolina/PE e Juazeiro/BA, inicialmente foi feita observações durante todo o
trajeto, conhecendo a diversidade da flora (caatinga) as margens das BRs, as
diferentes mudanças na vegetação ao longo do percurso, as formas diversificadas
do relevo.
O Centro de Formação Política Paulo
Freire, o assentamento Normandia, o MST (movimento dos trabalhadores rurais
sem-terra), a dinâmica do campo no assentamento, agricultura familiar
ou/subsistência, e o desenvolvimento do semiárido no Agronegócio Fruticultor
através da irrigação, produzindo em grande escala para a exportação o produto
desenvolvido para aquele tipo de solo, através das pesquisas e modificação
genética para conseguir colher em tempo recorde a colheita desejada.
Destacamos que com o desenvolvimento
na área do Rio São Francisco tendência é desenvolver cada vez mais o fluxo de
capital no Estados produtores. O grande vilão da vez é a contaminação do solo
da água e do ar, através do insumo agrícola utilizado pelos produtores, prejudicando
cada vez mais o meio ambiente.
Considerando que todo esse
desenvolvimento de expansão em nome da globalização no espaço brasileiro, venha
a desenvolver a questão da conscientização ambiental, dessa forma o grande e o
pequeno produtor reconheça a necessidade de ter essa consciência voltada para o
meio ambiente. Já os trabalhadores rurais que necessitam de um espaço
territorial para desenvolver suas atividades agrícolas de maneira sustentável,
ou/seja condições de trabalhos com políticas públicas voltada para a classe
trabalhadora do campo, que necessita de mais terras para a agricultura
familiar, onde a grande maioria dos trabalhadores precisam de uma política
voltada para beneficiar os menos favorecidos, uma reforma agrária justa
igualitária para todos.
Portanto ressalvo que o presente
trabalho, vem à mostra um pouco da problemática que envolve todas as
perspectivas relacionadas com os temas pertinentes discutidos em sala de aula e
observados em campo, a relação teoria e/pratica. Desde o movimento social o
MST, Espaço Agrário, Organização do Espaço Brasileiro e o Agronegócio
Fruticultor.
REFERÊNCIAS
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