RELATÓRIO DE CAMPO: MIQCB
(MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU) ESPERANTINA/PI
CLAUDEMIR
MARTINS DOS SANTOS
Discente do Curso de Geografia da UEPB
kaiomartinspb@hotmail.com
DR. EDVALDO
CARLOS DE LIMA
Docente do Curso de Geografia da UEPB
Universidade
Estadual da Paraíba – UEPB
Disciplina:
Pratica II, Interdisciplinar; Produção do Espaço Agrário Pratica e Metodologia
de Ensino em Geografia.
Data
da saída de campo: 03 a 06 de maio de 2012
ASPECTOS DO
MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU (MIQCB) ESPERANTINA PIAUÍ-PI
Claudemir Martins dos Santos
Graduando em Geografia do Depto. de Geografia-CH-UEPB
Edvaldo Carlos de Lima
Professor em Geografia do Depto. de Geografia-CH-UEPB
(Orientador)
edvaldo.edvlima@gmail.com
RESUMO
O
trabalho aborda sobre a extração vegetal e o beneficiamento
do coco babaçu, dentro das comunidades aderidas ao Movimento Interestadual das
Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB): Fortaleza III, Olho d’água dos Negros ou
dos Pretos, Chapada da Cinda e comunidade de santa Luzia, nos municípios de
Esperantina e São João do Arraial, Piauí-PI, em sua maioria as formas e
práticas primitivas das quebradeiras de coco. A pesquisa tem o objetivo de
conhecer as técnicas extrativistas e beneficiamento do coco babaçu, produzido
dentro das comunidades.
Os
procedimentos metodológicos desenvolveram através leituras e debates,
previamente realizados em sala de aula, sobre os temas a serem abordados no
trabalho de campo e as questões agrárias, foram aplicado entrevistas e
anotações em diário de campo e registro fotográfico. Processo de formação do
espaço agrário e o desenvolvimento sustentável, através do extrativismo da
amêndoa do coco babaçu e seus derivados agrícolas por meio da coleta e
beneficiamento do mesmo, de forma coletiva pelas famílias, garantindo a
preservação da cultura do coco babaçu, além de não utilizar corte ou derrubada
das palmeiras, pois, se colhe apenas os frutos após sua queda natural
desenvolvida pela agricultura familiar nas comunidades pesquisadas.
Observou-se, o desenvolvimento sociocultural, produção baseado na coletividade
da agricultura de manejo e irrigação desenvolvida com o apoio das entidades
filantrópicas e governamental, contribuindo na formação do espaço geográfico e
sustentabilidade como projeto e filosofia de vida nas comunidades, que representa
todo o movimento das quebradeiras do coco babaçu. Estas condições de trabalho é
uma luta constante pela sobrevivência dos moradores das comunidades
tradicionais nas áreas dos assentamentos. A lei do babaçu livre garante o
direito da colheita de forma perene do coco babaçu em todas as fazendas nelas
cultivam agricultura de subsistência de forma coletiva, onde através de
irrigação garante uma boa produção de alimentação para sua própria subsistência
e também para pequenas vendas ou escambo, visando melhorias no orçamento de
cada família. Portanto, a produção baseado na coletividade da agricultura de
manejo e irrigação. Com o apoio das entidades não-governamental e governamental,
contribuindo na formação do espaço geográfico, a sustentabilidade como projeto
e filosofia de vida nas comunidades.
Palavras-chave: Quebradeiras de
coco, Extrativismo e Babaçu.
INTRODUÇÃO
Durante viagem de campo
para aulas da disciplina de Pratica II, aplicada á Geografia, realizamos as
observações a seguir nas comunidades visitadas. Os Estados integrantes desse
movimento são: Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. O Município de Esperantina
fica localizado na mesorregião Norte Piauiense, micro região do baixo Parnaíba,
o clima é tropical quente e sub úmido. O extrativismo do babaçu no município de
Esperantina/PI, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), no censo de 2010, a produção de amêndoas foi de 349 toneladas,
que foi comercializado por R$ 419.000,00 (quatrocentos e dezenove mil reais).
Parte da produção de
amêndoa do coco babaçu e seus derivados do Município de Esperantina do Estado
do Piauí são realizados de forma artesanal. A nossa aula prática de campo teve
como objetivo principal conhecer os métodos e maneiras de trabalho realizado na
produção extrativista e no beneficiamento do coco babaçu, produzido dentro das
comunidades, observamos que se trata de um trabalho de produção familiar
artesanal, que resguarda ainda em sua maioria as formas e práticas primitiva
das quebradeiras de coco. Existindo duas ações de trabalho que são a apanha do
coco e o seu beneficiamento realizado de forma coletiva pelas famílias
garantindo a sustentabilidade da cultura, durante as ações do trabalho não
existe a necessidade do corte ou derrubada das palmeiras, pois se recolhe
apenas os frutos, após sua queda natural. Estas ações e formas de trabalho é
uma luta constante pela sobrevivência dos habitantes das comunidades
tradicionais nas áreas dos assentamentos, a lei do babaçu livre garante o
direito da colheita de forma perene do coco babaçu em todas as fazendas. Nas
comunidades todos cultivam agricultura de subsistência de forma coletiva, onde
através de irrigação garante uma boa produção de alimentação para sua própria
subsistência e também para pequenas vendas ou escambo tudo, visando melhorias
no orçamento de cada família. O movimento MIQCB (Movimento interestadual das
Quebradoras de Coco do Babaçu), tem por objetivo principal promover e garantir
a permanência e continuidade das famílias, dando continuidade à tradição
praticada pelos seus ancestrais, essa é a proposta para as atuais e futuras
gerações a importância trabalho comunitário para o desenvolvimento das
comunidades valorizando assim a formação sociocultural, resgatando e mantendo
toda sua identidade com ênfase e apoio para manutenção e continuidade da
política do trabalho familiar, e especialmente a forma do trabalho das mulheres
quebradeiras de coco do babaçu.
Figura-1 Mapa de localização geográfica da área
visitada (em destaque).
METODOLOGIA
Toda essa problemática
dos temas abordados, onde a educação e o espaço agrário têm como objetivo toda
uma problemática voltada para as necessidades do campo, o extrativismo do coco
babaçu, dentre outras a luta pelo latifúndio para a reforma agrária, através de
uma agricultura familiar sustentável.
A realização da viagem
planejada pelo professor Dr. Edvaldo Carlos de Lima, responsável pela
disciplina Pratica II do curso de Geografia. Todo o roteiro da aula de campo
foi criado pelo mesmo.
Durante pesquisa inloco realizadas havia representante da
organização/movimento MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco
Babaçu), respondendo as perguntas e questionamento dos alunos e professor. Alem
das informações prestadas, foram feitas observações nos locais visitados, onde
todos obtiveram informações prestadas por pessoas representando as demais
comunidades, observações individuais por parte de cada integrante do grupo.
Primeiro
dia
No trajeto Guarabira/PB
a Esperantina/PI, na PB-075 passando nos municípios de Cuitegi, Alagoinha á
Alagoa Grande. PB-079 passando por Juarez Távora até chega à BR-230, seguindo
por Campina Grande, Patos, Souza e Cajazeiras, no sertão do estado. Sempre
observando o contraste de transição entre as regiões geográficas e mesorregiões
(fig.2).
Regiões geográficas:
Litoral, Depressão, Borborema, Baixo sertão e Alto sertão, Mesorregiões; Mata
Paraibana, Agreste Paraibano, Borborema e Sertão paraibano. Através de
observações na transição dessas regiões a mudança do clima, solo, vegetação e
relevo. O Estado Paraibano é rico em Recursos Minerais.
Dando continuidade a
viagem, no início da noite saindo do estado da Paraíba passando da BR-230 para
BR-116 no Estado do Ceará, seguindo para a cidade de Esperantina/PI, mesmo
passando por problemas técnicos durante toda a viagem.
Figura-2 Inselbergs na depressão sertaneja
-Patos/PB
Fonte: pesquisa de
campo, 2012.
Segundo
dia
Logo após uma noite de
viagem, chegamos à capital do Piauí Teresina. Para chegarmos ao nosso destino
de fato levou, mas um tempo, só na parte da tarde depois de 31 horas de viagem,
foi possível de fato chega ao ponto de destino.
Com a nossa chegada à
comunidade Fortaleza III, no município Esperantina/PI, foi dado início ao ciclo
de debates e apresentações na comunidade. O movimento das quebradeiras coco,
fundada há 20 anos, surgiu com a necessidade de desenvolvimento para as
famílias que se beneficiavam da colheita do coco babaçu, assim como também
surgiram os movimentos sociais, a luta pela terra (reforma agrária). Com a
desapropriação da fazenda onde as famílias viviam, foram criadas as sete
comunidades denominadas Fortaleza, e relacionadas de I a VII. Todas essas
comunidades possuem 230 hectares de terra com 13 famílias assentados. Movimento
das quebradeiras de coco, formados apenas por mulheres onde trabalha de maneira
coletiva, e sustentável na colheita e beneficiamento do babaçu e seus derivados
(azeite de babaçu, farinha de babaçu, carvão de babaçu, sabonete de babaçu,
sabão de coco babaçu e artesanato), esses são alguns dos produtos
comercializados da palmeira e amêndoa extraída do coco babaçu.
O movimento MIQCB
(Movimento Interestadual das Quebradeiras Coco Babaçu), e a agricultura
familiar faz com que essas pessoas se preparem para se desenvolver dentro das
respectivas comunidades, transformando sua arte em trabalho que produz renda
para todos que participa de forma organizada e coletiva. Produzir conhecimento
através dos movimentos sociais dentro do espaço geográfico, conhecer e
reconhecer produzir conhecimento dentro dessa relação sociedade e natureza.
Figura-3 Palmeira com
cacho do coco babaçu na comunidade Fortaleza III, Esperantina/PI.
Fonte: Pesquisa campo,
2012.
Figura-4 Uma das sedes
do movimento MIQCB, na comunidades Fortaleza III município de Esperantina/PI
Fonte: pesquisa campo,
2012.
Na comunidade existe
apenas uma escola, que atende todas as sete Fortaleza. Educação tradicional, o
município não disponibiliza de profissionais especifico para educação do campo.
A religião predominante nas comunidades é a católica.
Terceiro
dia
Continuando com as
atividades e observações do beneficiamento da amêndoa do coco babaçu, extraído
da palmeira, na comunidade Fortaleza III, onde conhecemos uma das integrantes
do movimento no município, a Dona Francisca (chica lera), como é, mas conhecida
na comunidade. Participa desde o início do movimento das quebradeiras, falando
sobre o as lutas pelos direitos de exercer suas atividades através do trabalho
coletivo e participativo das mulheres. Essas associações através de entidades
filantrópicas e não governamentais, conseguem projetos para desenvolver o
beneficiamento do produto extraído dos babaçuais a custo zero. Principalmente para a farinha que é extraída
da entre casca do coco.
Toda essa problemática
abordada entorna desse movimento MIQCB (Movimento Interestadual das
Quebradeiras de Coco Babaçu), é mostrar que o movimento tem apoio dos governos
em todas as esferas, que o movimento tem ganhado força. O tempo de dificuldades
ficou para trás parte da produção produzida pelas quebradeiras, é comprados
pelo governo municipal, garantido uma fonte de renda para essas famílias.
Desenvolvendo a agricultura de subsistência de forma sustentável, com sistema
de irrigação para uma boa colheita.
Figura-5 Placa de
Investimento da Fundação Banco do Brasil, na comunidade Fortaleza III,
Esperantina/PI.
Fonte: Pesquisa campo,
2012.
Figura-6 Mulheres do
movimento na quebra do coco para colher á amêndoa Fortaleza III,
Esperantina/PI.
Fonte: Pesquisa de
Campo, 2012.
Na comunidade Olho
D’água dos Negros ou dos Pretos, visitamos uma das quebradeiras de coco, e
agricultora que, produz de forma orgânica, legumes e hortaliças, Dona Milagres,
tem seu próprio poço para irrigar sua plantação. Conta com o apoio do seu
companheiro que é técnico em agronomia, o mesmo desenvolve o trabalho em
conjunto com a mesma para melhorar a renda da família. Todos contam com
projetos PAIS (produção agra ecológica integrada e sustentável), uma tecnologia
social para superar a pobreza! Esse apoio é de suma importância das entidades
para desenvolver e conscientizar as pessoas sobre a necessidade de cuidar do
meio ambiente para as gerações futuras.
Figura-7 Placa de
Entidades que apoiam o desenvolvimento sustentável na Comunidade Olho D’dos
Negros ou Pretos, Esperantina/PI.
Fonte: Pesquisa Campo,
2012.
Figura-8 Plantação de
feijão juntos a bananeiras típica agricultura familiar na mesma localidade,
Esperantina/PI Fonte: Pesquisa Campo,
2012.
Ultimas comunidades
visitadas foram Chapada da Cinda e Santa Luzia, ambas localizadas no município
de São João do Arraial/PI.
Na Chapada da Cinda,
encontramos uma das moradoras mais antigas. Dona Teumira falou sobre o
desenvolvimento da comunidade e as dificuldades encontradas para resistir a
todo processo do assentamento. Toda a produção com o extrativismo do babaçu e à
agricultura familiar, parte dessa produção é vendida ao governo. Os pequenos produtores fazem plantação de
manejo, tendo sua produção à base de irrigação, de forma coletiva.
Figura-9 Plantação de
subsistência e manejo, na comunidade Chapada da Cinda, São João do Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa Campo,
2012.
Figura-10 Horta irrigada
no sistema de manda-la, na Comunidade Chapada da Cinda, São João do Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2012.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2012.
A Comunidade de Santa
Luzia, também tem como base sua agricultura e extrativismo dos babaçuais como
sua principal fonte de renda. Parte dessa produção orgânica é vendida em feiras
livres, Mas essa atua de formas diferentes as do município vizinho
Esperantina/PI, para garantir um bom relacionamento. Foi criada uma pequena cooperativa de
credito, no próprio município, Banco Comunitário de São João do Arraial, com
moeda própria para seus associados.
De acordo com as
informações passadas da população, essa associação recebe muitas verbas,
projetos de entidades filantrópicas, entidades não governamentais, para
desenvolver novos projetos que beneficie essas famílias, para dar continuidade
das atividades sejam do extrativismo, ou da agricultura familiar.
Figura-11 Placa que mostra
valor de projeto investido no extrativismo do babaçu, na Comunidade de Santa Luzia, São João do Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa Campo,
2012.
Figura-12 Cocos colhidos
para beneficiamento das famílias na Comunidade de Santa Luzia, São João do
Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa Campo,
2012.
Figura-13 Cédula da moeda
própria da cooperativa criada para financiar o pequeno produtor, o cocal, na
Comunidade de Santa Luzia, São João do Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa Campo,
2012.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Podemos concluir que,
esse relatório de campo, foi satisfatório pois atingiu os objetivos desejados. Conhecer o extrativismo do coco babaçu, através do movimento MIQCB (Movimento
Interestadual das quebradeiras de Coco Babaçu), na cidade de Esperantina/PI, os
movimentos sociais do campo, a produção do espaço agrário por meios do
desenvolvimento sustentável, agricultura de subsistência.
Dentre as comunidades
visitadas, conhecemos o seu desenvolvimento sócio cultural e sua produção
agrícola, onde os produtores rurais trabalham com irrigação, diversidade nas
plantações de seus alimentos. Através de apoio de entidades e programas do governo
federal no seu desenvolvimento de forma sustentável, assim as famílias
desenvolve sua agricultura familiar mantendo a tradição, através do
desenvolvimento das suas atividades dentro de cada comunidade, onde as mulheres
do Movimento Interestadual das
Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), mantem tradicionalmente a coleta do coco
dentro do seu território que, abrangente os quatros estados Maranhão, Pará,
Piauí e Tocantins.
REFERÊNCIAS
Disponível: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/mapas/imagens/pi_mapa_gde.gif Acesso em 14 de
junho, 2012.
Revista Discente Expressões Geográficas, nº
06, ano VI, p. 173 – 185. Florianópolis, junho de 2010. www.geograficas.cfh.ufsc.br













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