segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

RELATÓRIO DE CAMPO

RELATÓRIO DE CAMPO: MIQCB (MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU) ESPERANTINA/PI





CLAUDEMIR MARTINS DOS SANTOS
Discente do Curso de Geografia da UEPB
kaiomartinspb@hotmail.com



DR. EDVALDO CARLOS DE LIMA
Docente do Curso de Geografia da UEPB





Universidade Estadual da Paraíba – UEPB
Disciplina: Pratica II, Interdisciplinar; Produção do Espaço Agrário Pratica e Metodologia de Ensino em Geografia.
Data da saída de campo: 03 a 06 de maio de 2012



ASPECTOS DO MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU (MIQCB) ESPERANTINA PIAUÍ-PI

Claudemir Martins dos Santos
Graduando em Geografia do Depto. de Geografia-CH-UEPB

Edvaldo Carlos de Lima
Professor em Geografia do Depto. de Geografia-CH-UEPB (Orientador)
edvaldo.edvlima@gmail.com


RESUMO

O trabalho aborda sobre a extração vegetal e o beneficiamento do coco babaçu, dentro das comunidades aderidas ao Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB): Fortaleza III, Olho d’água dos Negros ou dos Pretos, Chapada da Cinda e comunidade de santa Luzia, nos municípios de Esperantina e São João do Arraial, Piauí-PI, em sua maioria as formas e práticas primitivas das quebradeiras de coco. A pesquisa tem o objetivo de conhecer as técnicas extrativistas e beneficiamento do coco babaçu, produzido dentro das comunidades. Os procedimentos metodológicos desenvolveram através leituras e debates, previamente realizados em sala de aula, sobre os temas a serem abordados no trabalho de campo e as questões agrárias, foram aplicado entrevistas e anotações em diário de campo e registro fotográfico. Processo de formação do espaço agrário e o desenvolvimento sustentável, através do extrativismo da amêndoa do coco babaçu e seus derivados agrícolas por meio da coleta e beneficiamento do mesmo, de forma coletiva pelas famílias, garantindo a preservação da cultura do coco babaçu, além de não utilizar corte ou derrubada das palmeiras, pois, se colhe apenas os frutos após sua queda natural desenvolvida pela agricultura familiar nas comunidades pesquisadas. Observou-se, o desenvolvimento sociocultural, produção baseado na coletividade da agricultura de manejo e irrigação desenvolvida com o apoio das entidades filantrópicas e governamental, contribuindo na formação do espaço geográfico e sustentabilidade como projeto e filosofia de vida nas comunidades, que representa todo o movimento das quebradeiras do coco babaçu. Estas condições de trabalho é uma luta constante pela sobrevivência dos moradores das comunidades tradicionais nas áreas dos assentamentos. A lei do babaçu livre garante o direito da colheita de forma perene do coco babaçu em todas as fazendas nelas cultivam agricultura de subsistência de forma coletiva, onde através de irrigação garante uma boa produção de alimentação para sua própria subsistência e também para pequenas vendas ou escambo, visando melhorias no orçamento de cada família. Portanto, a produção baseado na coletividade da agricultura de manejo e irrigação. Com o apoio das entidades não-governamental e governamental, contribuindo na formação do espaço geográfico, a sustentabilidade como projeto e filosofia de vida nas comunidades.

Palavras-chave: Quebradeiras de coco, Extrativismo e Babaçu.




INTRODUÇÃO

Durante viagem de campo para aulas da disciplina de Pratica II, aplicada á Geografia, realizamos as observações a seguir nas comunidades visitadas. Os Estados integrantes desse movimento são: Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. O Município de Esperantina fica localizado na mesorregião Norte Piauiense, micro região do baixo Parnaíba, o clima é tropical quente e sub úmido. O extrativismo do babaçu no município de Esperantina/PI, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no censo de 2010, a produção de amêndoas foi de 349 toneladas, que foi comercializado por R$ 419.000,00 (quatrocentos e dezenove mil reais).
Parte da produção de amêndoa do coco babaçu e seus derivados do Município de Esperantina do Estado do Piauí são realizados de forma artesanal. A nossa aula prática de campo teve como objetivo principal conhecer os métodos e maneiras de trabalho realizado na produção extrativista e no beneficiamento do coco babaçu, produzido dentro das comunidades, observamos que se trata de um trabalho de produção familiar artesanal, que resguarda ainda em sua maioria as formas e práticas primitiva das quebradeiras de coco. Existindo duas ações de trabalho que são a apanha do coco e o seu beneficiamento realizado de forma coletiva pelas famílias garantindo a sustentabilidade da cultura, durante as ações do trabalho não existe a necessidade do corte ou derrubada das palmeiras, pois se recolhe apenas os frutos, após sua queda natural. Estas ações e formas de trabalho é uma luta constante pela sobrevivência dos habitantes das comunidades tradicionais nas áreas dos assentamentos, a lei do babaçu livre garante o direito da colheita de forma perene do coco babaçu em todas as fazendas. Nas comunidades todos cultivam agricultura de subsistência de forma coletiva, onde através de irrigação garante uma boa produção de alimentação para sua própria subsistência e também para pequenas vendas ou escambo tudo, visando melhorias no orçamento de cada família. O movimento MIQCB (Movimento interestadual das Quebradoras de Coco do Babaçu), tem por objetivo principal promover e garantir a permanência e continuidade das famílias, dando continuidade à tradição praticada pelos seus ancestrais, essa é a proposta para as atuais e futuras gerações a importância trabalho comunitário para o desenvolvimento das comunidades valorizando assim a formação sociocultural, resgatando e mantendo toda sua identidade com ênfase e apoio para manutenção e continuidade da política do trabalho familiar, e especialmente a forma do trabalho das mulheres quebradeiras de coco do babaçu.

Figura-1 Mapa de localização geográfica da área visitada (em destaque).

METODOLOGIA

Toda essa problemática dos temas abordados, onde a educação e o espaço agrário têm como objetivo toda uma problemática voltada para as necessidades do campo, o extrativismo do coco babaçu, dentre outras a luta pelo latifúndio para a reforma agrária, através de uma agricultura familiar sustentável.
A realização da viagem planejada pelo professor Dr. Edvaldo Carlos de Lima, responsável pela disciplina Pratica II do curso de Geografia. Todo o roteiro da aula de campo foi criado pelo mesmo.
Durante pesquisa inloco realizadas havia representante da organização/movimento MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu), respondendo as perguntas e questionamento dos alunos e professor. Alem das informações prestadas, foram feitas observações nos locais visitados, onde todos obtiveram informações prestadas por pessoas representando as demais comunidades, observações individuais por parte de cada integrante do grupo.



Primeiro dia

No trajeto Guarabira/PB a Esperantina/PI, na PB-075 passando nos municípios de Cuitegi, Alagoinha á Alagoa Grande. PB-079 passando por Juarez Távora até chega à BR-230, seguindo por Campina Grande, Patos, Souza e Cajazeiras, no sertão do estado. Sempre observando o contraste de transição entre as regiões geográficas e mesorregiões (fig.2).
Regiões geográficas: Litoral, Depressão, Borborema, Baixo sertão e Alto sertão, Mesorregiões; Mata Paraibana, Agreste Paraibano, Borborema e Sertão paraibano. Através de observações na transição dessas regiões a mudança do clima, solo, vegetação e relevo. O Estado Paraibano é rico em Recursos Minerais.
Dando continuidade a viagem, no início da noite saindo do estado da Paraíba passando da BR-230 para BR-116 no Estado do Ceará, seguindo para a cidade de Esperantina/PI, mesmo passando por problemas técnicos durante toda a viagem.

Figura-2 Inselbergs na depressão sertaneja -Patos/PB
 Fonte: pesquisa de campo, 2012.

  

Segundo dia

Logo após uma noite de viagem, chegamos à capital do Piauí Teresina. Para chegarmos ao nosso destino de fato levou, mas um tempo, só na parte da tarde depois de 31 horas de viagem, foi possível de fato chega ao ponto de destino.
Com a nossa chegada à comunidade Fortaleza III, no município Esperantina/PI, foi dado início ao ciclo de debates e apresentações na comunidade. O movimento das quebradeiras coco, fundada há 20 anos, surgiu com a necessidade de desenvolvimento para as famílias que se beneficiavam da colheita do coco babaçu, assim como também surgiram os movimentos sociais, a luta pela terra (reforma agrária). Com a desapropriação da fazenda onde as famílias viviam, foram criadas as sete comunidades denominadas Fortaleza, e relacionadas de I a VII. Todas essas comunidades possuem 230 hectares de terra com 13 famílias assentados. Movimento das quebradeiras de coco, formados apenas por mulheres onde trabalha de maneira coletiva, e sustentável na colheita e beneficiamento do babaçu e seus derivados (azeite de babaçu, farinha de babaçu, carvão de babaçu, sabonete de babaçu, sabão de coco babaçu e artesanato), esses são alguns dos produtos comercializados da palmeira e amêndoa extraída do coco babaçu.
O movimento MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras Coco Babaçu), e a agricultura familiar faz com que essas pessoas se preparem para se desenvolver dentro das respectivas comunidades, transformando sua arte em trabalho que produz renda para todos que participa de forma organizada e coletiva. Produzir conhecimento através dos movimentos sociais dentro do espaço geográfico, conhecer e reconhecer produzir conhecimento dentro dessa relação sociedade e natureza.

Figura-3 Palmeira com cacho do coco babaçu na comunidade Fortaleza III, Esperantina/PI.
Fonte: Pesquisa campo, 2012.



Figura-4 Uma das sedes do movimento MIQCB, na comunidades Fortaleza III município de Esperantina/PI
Fonte: pesquisa campo, 2012.

Na comunidade existe apenas uma escola, que atende todas as sete Fortaleza. Educação tradicional, o município não disponibiliza de profissionais especifico para educação do campo. A religião predominante nas comunidades é a católica.


Terceiro dia

Continuando com as atividades e observações do beneficiamento da amêndoa do coco babaçu, extraído da palmeira, na comunidade Fortaleza III, onde conhecemos uma das integrantes do movimento no município, a Dona Francisca (chica lera), como é, mas conhecida na comunidade. Participa desde o início do movimento das quebradeiras, falando sobre o as lutas pelos direitos de exercer suas atividades através do trabalho coletivo e participativo das mulheres. Essas associações através de entidades filantrópicas e não governamentais, conseguem projetos para desenvolver o beneficiamento do produto extraído dos babaçuais a custo zero.  Principalmente para a farinha que é extraída da entre casca do coco.
Toda essa problemática abordada entorna desse movimento MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu), é mostrar que o movimento tem apoio dos governos em todas as esferas, que o movimento tem ganhado força. O tempo de dificuldades ficou para trás parte da produção produzida pelas quebradeiras, é comprados pelo governo municipal, garantido uma fonte de renda para essas famílias. Desenvolvendo a agricultura de subsistência de forma sustentável, com sistema de irrigação para uma boa colheita.

Figura-5 Placa de Investimento da Fundação Banco do Brasil, na comunidade Fortaleza III, Esperantina/PI.
Fonte: Pesquisa campo, 2012.


Figura-6 Mulheres do movimento na quebra do coco para colher á amêndoa Fortaleza III, Esperantina/PI.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2012.


Na comunidade Olho D’água dos Negros ou dos Pretos, visitamos uma das quebradeiras de coco, e agricultora que, produz de forma orgânica, legumes e hortaliças, Dona Milagres, tem seu próprio poço para irrigar sua plantação. Conta com o apoio do seu companheiro que é técnico em agronomia, o mesmo desenvolve o trabalho em conjunto com a mesma para melhorar a renda da família. Todos contam com projetos PAIS (produção agra ecológica integrada e sustentável), uma tecnologia social para superar a pobreza! Esse apoio é de suma importância das entidades para desenvolver e conscientizar as pessoas sobre a necessidade de cuidar do meio ambiente para as gerações futuras.

Figura-7 Placa de Entidades que apoiam o desenvolvimento sustentável na Comunidade Olho D’dos Negros ou Pretos, Esperantina/PI.
Fonte: Pesquisa Campo, 2012.


Figura-8 Plantação de feijão juntos a bananeiras típica agricultura familiar na mesma localidade, Esperantina/PI           Fonte: Pesquisa Campo, 2012.

Ultimas comunidades visitadas foram Chapada da Cinda e Santa Luzia, ambas localizadas no município de São João do Arraial/PI.
Na Chapada da Cinda, encontramos uma das moradoras mais antigas. Dona Teumira falou sobre o desenvolvimento da comunidade e as dificuldades encontradas para resistir a todo processo do assentamento. Toda a produção com o extrativismo do babaçu e à agricultura familiar, parte dessa produção é vendida ao governo.  Os pequenos produtores fazem plantação de manejo, tendo sua produção à base de irrigação, de forma coletiva.

Figura-9 Plantação de subsistência e manejo, na comunidade Chapada da Cinda, São João do Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa Campo, 2012.


Figura-10 Horta irrigada no sistema de manda-la, na Comunidade Chapada da Cinda, São João do Arraial/PI.             
Fonte: Pesquisa de Campo, 2012.

A Comunidade de Santa Luzia, também tem como base sua agricultura e extrativismo dos babaçuais como sua principal fonte de renda. Parte dessa produção orgânica é vendida em feiras livres, Mas essa atua de formas diferentes as do município vizinho Esperantina/PI, para garantir um bom relacionamento.  Foi criada uma pequena cooperativa de credito, no próprio município, Banco Comunitário de São João do Arraial, com moeda própria para seus associados.
De acordo com as informações passadas da população, essa associação recebe muitas verbas, projetos de entidades filantrópicas, entidades não governamentais, para desenvolver novos projetos que beneficie essas famílias, para dar continuidade das atividades sejam do extrativismo, ou da agricultura familiar.

Figura-11 Placa que mostra valor de projeto investido no extrativismo do babaçu, na Comunidade de Santa Luzia, São João do Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa Campo, 2012.


Figura-12 Cocos colhidos para beneficiamento das famílias na Comunidade de Santa Luzia, São João do Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa Campo, 2012.


Figura-13 Cédula da moeda própria da cooperativa criada para financiar o pequeno produtor, o cocal, na Comunidade de Santa Luzia, São João do Arraial/PI.
Fonte: Pesquisa Campo, 2012.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos concluir que, esse relatório de campo, foi satisfatório pois atingiu os objetivos desejados. Conhecer o extrativismo do coco babaçu, através do movimento MIQCB (Movimento Interestadual das quebradeiras de Coco Babaçu), na cidade de Esperantina/PI, os movimentos sociais do campo, a produção do espaço agrário por meios do desenvolvimento sustentável, agricultura de subsistência.
Dentre as comunidades visitadas, conhecemos o seu desenvolvimento sócio cultural e sua produção agrícola, onde os produtores rurais trabalham com irrigação, diversidade nas plantações de seus alimentos. Através de apoio de entidades e programas do governo federal no seu desenvolvimento de forma sustentável, assim as famílias desenvolve sua agricultura familiar mantendo a tradição, através do desenvolvimento das suas atividades dentro de cada comunidade, onde as mulheres do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), mantem tradicionalmente a coleta do coco dentro do seu território que, abrangente os quatros estados Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.

REFERÊNCIAS

 Disponível: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/mapas/imagens/pi_mapa_gde.gif Acesso em 14 de junho, 2012.

Revista Discente Expressões Geográficas, nº 06, ano VI, p. 173 – 185. Florianópolis, junho de 2010. www.geograficas.cfh.ufsc.br

Disponível: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 Acesso em 14 de junho, 2012.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

ARTIGO PUBLICADO NO SINGA 2013, JOÃO PESSOA/PB

ASPECTO AGRÁRIO DO NORDESTE BRASILEIRO E O MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA (MST) NO ASSENTAMENTO NORMANDIA-CARUARU/PE-BRASIL ...